

Mestre Rito constrói moliceiro com as próprias mãos
"por paixão" à Ria

Dois meses de "intenso trabalho" e mais de cinco mil euros gastos em madeira de pinho, materiais e apetrechos. Foi o que custou ao mestre José Rito, pescador das artes artesanais de 53 anos da praia da Torreira, na Murtosa, construir, com "as próprias mãos", um barco moliceiro.
Fê-lo "por amor, como um filho", assume o antigo moliceiro, descendente de moliceiro. Os Ritos pertencem à última geração dos que ainda andaram na apanha do moliço, as algas que serviam de adubo nas terras agrícolas ribeirinhas. "Somos nós que fazemos esta Ria bonita, sem paixão e gosto isto tende a acabar", diz.
Recorda Manuel Raimundo, um velho carpinteiro naval, que foi o seu mestre. "Comecei a aprender aos 30 anos, devo-lhe tudo o que sei para construir barcos. Convenceu-me que era artista", ri-se.

O "bota-abaixo" aconteceu a poucos dias da famosa regata de moliceiros que se realiza hoje à tarde, entre a Torreira e Aveiro. O mestre José Rito, que já venceu por três vezes a corrida entre a Torreira e Aveiro. No total serão 20 moliceiros. Amanhã haverá um concurso de painéis, as pinturas muito características que decoram a proa dos moliceiros e uma a corrida de bateiras no canal central.
in Diário de Notícias, 18 de Julho de 2009